EM BUSCA DE UM OBJETO EPISTÊMICO PARA A EDUCAÇÃO Prof. Francisco Edson (Pe. Bruno, osb). Partindo, ainda, das dimensões básicas para uma integralidade do ser humano, aprofundou-se que estas referidas dimensões: física, sensorial, emocional, mental e espiritual são da natureza da própria criança e que aquelas, mais temáticas: ética, -prático-laboral-profissional, comunicativa, artística, político-econômica, volitivo-impulsional-motivacional, místico-mágico-religiosa, relacional-social, étnica, lúdica, de gênero, sexual-libidinal, ecológica..., serão ensinadas ao educando. Nesta dinâmica tem-se a meta da educação: a hominização e a humanização do homem. Nem todas as dimensões temáticas são desenvolvidas nos seres humanos como um todo e, nem, na mesma intensidade. Quando ocorre uma determinada concentração temática, as outras não deverão ser esquecidas, mas sem esquecer que para se humanizar faz-se necessário incluir as dimensões básicas e, sobretudo, a espiritual. As pessoas são diferentes em suas potencialidades. Os talentos vão desabrochando a partir do momento em que o educador abre espaços para o aflorar das dimensões transversais, ou seja, o educador deverá entrar em sala de aula com uma intenção de educar bem definida e sempre levando em conta todas essas dimensões que compõem os seres humanos. Nessa ótica, vemos que o desenvolvimento da vida humana deverá ser INTEGRAL, isto se fará na tomada de consciência da importância das dimensões básicas, sem perder de vista a prático-laboral-profissional que, de certo modo, seria uma teoria da correspondência co relação ao desejo social para os indivíduos. Daqui brota a indagação: Por que o ser humano sempre pensa em função dos outros? Existe aí duas possibilidades: para combater o mal ou fazer o bem, moldando a vida àquilo que é idealizado pelos grupos sociais de maioria. O homem em vez de melhorar as áreas que tem deficiência, busca trabalhar, somente, aquelas que possuem uma maior possibilidade. O professor, portanto, deverá levar o aluno a descobrir como, a partir da deficiência, chegar às novas possibilidades. A respeito da apropriação do conhecimento, pode-se perguntar: será que a apropriação ocorre quando não sabemos aplicar os conhecimentos aprendidos? Observa-se que mesmo quando se aplica não se explica. Uma verdadeira apropriação do conhecimento dará uma maior autonomia para solucionar problemas e, conseqüentemente, levar a mudanças humanas e sociais. Sabemos, pelo texto, que as teorias da correspondência crêem em um destino, independentemente da forma como este se expressa e da sua adequação a ele e que as teorias da irreverência negam o destino em nome da liberdade, ou seja, o próprio ser humano cria o seu próprio sentido; a educação ajudaria ao educando encontrar esse sentido. Como superar esta disputa entre: destino e liberdade? Seria buscando a integralidade em todas as dimensões humanas. Constitui-se uma dificuldade a não sapiência do educador de todas essas dimensões do humano, preocupando-se, apenas com os conteúdos específicos de determinada área. Se o educando, por sua vez, consegue construir o conhecimento por conta própria, tem-se uma aprendizagem verdadeira e, se possível, deverá ser mediada pelo educador. Depois dessas reflexões, coloca-se o seguinte questionamento: como esse processo de aprendizagem se dá com a religião? Poderá se aproximar pelas pregações, para a transformação da própria vida, uma verdadeira metanóia. Isso se dá pela fé, pois a religião não é empírica, é um dom de Deus. Mas também não seriam, totalmente, antagônicas, pois existe uma aproximação ente fé e razão, senão cairíamos no fideísmo, ou seja, na fé sem uma reflexão racional. São Tomás de Aquino chegou, até mesmo, criar provas sobre a existência de Deus: motor primeiro, ser necessário em oposição aos contingentes etc. Por outro lado, não se unem totalmente, já que as experiências empíricas não chegam a Deus. Os processos de apropriação são individuais, como valores éticos, dogmas religiosos etc. Esses só se tornam verdade na medida que passam a ser credenciados pelos indivíduos. Como já foi mencionado, anteriormente, há sempre uma postura de mudança nos atos de apropriação do conhecimento. Os indivíduos passam a agir, coerentemente, de acordo com aquilo que passam a acreditar, coexistindo atitudes e palavras. A crença verdadeira não é impositiva, as atitudes são realizadas com liberdade. Foi citado, neste momento, o exemplo dos homens-bomba: o indivíduo, com toda a convicção sacrifica a sua vida para possuir algo bom na outra. Antes da conclusão da aula, o professor informou que as ciências não possuem verdades absolutas, pois estão baseadas em pressupostos. Ela própria não se define através de procedimentos científicos. O conceito de ciência passa por momentos históricos-contextuais, varia e não é neutro. Concluímos com a seguinte indagação: será que buscando o nosso destino e apropriando-nos das questões da religião, tornar-nos-emos mais livres? Ou apropriando-nos de outros conteúdos chegaremos a uma maior liberdade?


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